Comissão para Cultura e Educação adequa o seu trabalho ao “novo normal” instalado pela Pandemia.

Na tarde de 14 de maio, através da Plataforma Zoom, aconteceu a reunião dos membros da Comissão Episcopal Pastoral para Cultura e Educação. Além do presidente da CEPCE, estiveram presentes os quatro bispos referenciais e quatro assessores dos cinco Setores. Na pauta, constou a escuta pastoral dos participantes, a contextualização do atual formato de funcionamento da Conferência Episcopal, as mudanças pelas quais passaram a CEPCE em virtude da Pandemia e o trabalho dos Setores com os temas prioritários definidos na I Reunião da CEPCE, em fevereiro deste ano.

Primeiro ponto da pauta, a escuta institucional possibilitou uma partilha dos bispos e assessores acerca de como estão sentindo-se e prosseguindo com os seus trabalhos, desde o início da pandemia no país. De modo geral, os bispos manifestaram uma preocupação com a saúde física e mental dos fiéis e padres, bem como, com as novas exigências apresentadas para a ação evangelizadora nas suas Igrejas Particulares. De igual modo, nos seus diferentes cenários, os assessores apresentaram um retrato das suas atividades pastorais nas dioceses e setores.

Na sequência, dom João Justino, arcebispo de Montes Claros e presidente da CEPCE atualizou os participantes sobre o atual funcionamento da Conferência Episcopal, recursos para projetos e atividades, como também, das reuniões acontecidas nos últimos dois meses em ambiente virtual. Segundo dom João Justino, “tem se discutido muito sobre a situação do país. Esta situação também mexeu com os trabalhos dos Setores da Conferência Episcopal. Temos descoberto como estar próximos dos colaboradores e grupos que estão próximos dos nossos setores”.

Nova atuação da CEPCE

O segundo tempo da reunião foi ocupado pelos assuntos da CEPCE, de modo geral. Em virtude do novo contexto, a CEPCE foi obrigada a reapresentar os seus projetos e atividades para o ambiente virtual. Para tanto, duas gerências do organismo (Comunicação e Integração, e Pedagógico-Pastoral) trabalharam de modo integrado, num plano urgente de formação dos assessores e identificação de novos meios de manutenção de relacionamento com o seu público alvo e colaboradores setoriais. A planejamento foi pensado em três fases para os meses de abril, maio e junho, quais sejam, mudança (fase 1), adaptação (fase 2) e consolidação (fase 3).

Na primeira fase buscou-se adiar os eventos presenciais que estavam marcados, produzir informações (matérias) sobre os temas emergenciais vinculados a pandemia, bem como, identificar formações necessárias aos assessores para traduzir as atividades para o novo contexto. Segundo o Pe. Danilo Pinto, assessor do Setor Universidades e Bens Culturais, “o atual momento apressou mudanças em nosso trabalho que só aconteceriam mais adiante, bem como, nos obrigou a encontrar a tradução das atividades para este novo ambiente antropológico que são as mídias sociais”. A fase de mudança foi concluída com uma campanha para novos seguidores no canal da CEPCE no You Tube e com uma “Semana de Lives” no Instagram que relacionou os Setores da CEPCE aos temas emergentes da pandemia.

Na segunda fase, houve uma adaptação dos assessores e bispos ao novo modelo de trabalho. Em virtude disto, a gerência pedagógico-pastoral realizou duas formações para os assessores da CEPCE, a saber, “Ferramentas e Plataformas Digitais para Tradução Pastoral das Atividades” e “Matriz Impacto e Esforço no Gerenciamento de Projetos”. O Pe. Júlio Resende, assessor do Setor Educação, interpelou “Diante dos muitos projetos e necessidade de economizar recursos, neste tempo de pandemia, como identificar atividades que exigem um menor esforço (pessoas, tempo e dinheiro) e possibilitam maior impacto (capacidade de transformar a realidade)? Esta ferramenta nos ajudará a priorizar de acordo às forças e tempo que podemos empregar nos projetos”.

Também integra a fase de mudança o começo do projeto Lives de Quarta, a partir do qual, será mantido um contato permanente com o público alvo dos setores, numa perspectiva formativa. Esta segunda fase, também é composta do encontro dos assessores com os colaboradores dos Setores da CEPCE que acontecerá entre os meses de maio e junho, para apresentar as mudanças porque passaram a Comissão, como também, o andamento dos trabalhos, com os temas prioritários. Nos relata o Pe. Eduardo Rocha sobre o Setor Ensino Religioso, que já realizou o seu encontro virtual com os colaboradores, no novo formato: “socializamos diversas ideias, resgatamos as vivências do encontro realizado em fevereiro, bem como, o trabalho realizado com a ferramenta Canvas Social. Decidimos nos encontrar quinzenalmente para estudo, partilha, produção de subsídios e articulação dos regionais”.

A terceira fase constituirá da consolidação dessas mudanças que caracterizarão o novo formato de trabalho da CEPCE. Para esta fase está previsto um estudo mais aprofundado da Pedagogia da Taxonomia de Bloom, a partir do qual, serão realizados os eventos formativos específicos dos setores na modalidade de Seminários em Rede (Webinar). Estes eventos virtuais serão realizados no Canal do You Tube, através da ferramenta Stream Yard. Segundo dom João Justino, “por meio dessas mudanças, a CEPCE tem buscado encontrar novos caminhos para materialização das linhas de atuação da Conferência Episcopal (formação e articulação) no novo normal que foi instalado, a partir da pandemia”.

Temas Prioritários dos Setores

A terceira parte da reunião da CEPCE foi ocupada por uma partilha dos bispos e assessores acerca do trabalho dos Setores com os temas prioritários, definidos na I Reunião dos Colaboradores da CEPCE, em fevereiro de 2020.

Setor Bens Culturais

Segundo dom Gregório Ben Lamed, bispo referencial do Setor Bens Culturais, “o Setor Bens Culturais tem trabalhado para oferecer à CNBB um subsídio sobre a captação de recursos para a preservação do patrimônio Cultural, manutenção dos museus e salvaguarda da memória. Três pessoas estão trabalhando exaustivamente nesta produção, listando e apresentando empresas catalogadas em ordem os valores oferecidos para este trabalho”.

                Setor Cultura

O Setor Cultura possui como tema prioritário “a articulação dos regionais e a cultura do cuidado integral com a vida”. Segundo dom Vicente de Paula, bispo referencial do Setor, se tem buscado “estabelecer prioridade em formar a Pastoral da Cultura nos regionais, articulando contato com os colaboradores do Setor. Buscamos ainda fomentar nos regionais a cultura da ecologia integral. Será necessário pensar juntos para encontrar caminhos, em virtude do atual contexto”. Pe. Luciano Roberto, assessor do Setor Cultura, ainda registrou que “o caminho percorrido pelos Setores Cultura e Bens Culturais, nesse ano, confluirão num seminário comum, em parceria com o Setor de Espaço Sagrado da CNBB”.

Setor Universidades

O Setor Universidades tem trabalhado o tema da saúde mental na Educação Superior. Um subsídio para a instalação de um Serviço de Escuta Universitária nas expressões eclesiais que atuam nos ambientes acadêmicos está sendo desenvolvido. O material encontra-se numa fase de desenvolvimento, com 60% do texto concluído. Dom Paulo Cesar, bispo de São Carlos e referencial do Setor Universidades, ainda refletiu “a necessidade do encontro com os bispos que acompanham o SU nos regionais. Muitos regionais não tem pessoas responsáveis. É necessário mais articulação nos regionais. É possível fazer esta organização neste tempo de pandemia”.

                Setor Ensino Religioso

O Setor de Ensino Religioso possui a tarefa de chegar numa definição do conceito de confidencialidade do Ensino Religioso para as Escolas Públicas. Segundo dom Dimas Lara, arcebispo de Campo Grande e bispo referencial do Setor, “temos fortalecido o diálogo com a ANEC, e temos necessidade de encontrar-mo-nos com os bispos referenciais do Setor dos regionais da CNBB”.

                Setor Educação

                O Setor Educação possui como tema prioritário a ação pastoral na escola pública. Segundo Pe. Júlio Resende, assessor do Setor, “os grupos já foram formados e estão iniciando os diálogos para efetivar a proposta. O 21º da Pastoral da Educação acontecerá de forma virtual, com o seguinte tema: “Igreja em saída em direção à escola pública”. O Setor tem acompanhado as dificuldades das escolas neste tempo de pandemia. E, tem buscado ser uma presença solidária. Observamos também que muitas pessoas têm se interessado pelo Pacto Global pela Educação”

Em suma, a reunião acontecida na plataforma Zoom aconteceria no contexto da Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, conforme acontece todos os anos. Em virtude do adiamento do evento, a reunião foi adaptada para uma plataforma digital de encontros e reuniões. Segundo o presidente da Comissão, dom João Justino, esse “terá de ser um recurso comum daqui pra frente. Temos de reinventar o nosso jeito de evangelizar. Me alegra ver pessoas de modo tão criativo descobrindo novos caminhos”.

Escreva um Comentário

Ver todos os Comentários